O clássico entre Palmeiras e Santos no Allianz Parque terminou em 1 a 1, com mais de 40 mil torcedores presentes. O jogo foi intenso e movimentado, mas o que marcou a partida foi a ausência de Neymar. O jogador não estava lesionado nem suspenso. Ele não jogou por escolha própria.
O caso ganhou contornos maiores. Neymar desperdiçou mais uma chance de mostrar ao técnico Carlo Ancelotti que está em um processo de recuperação. Faltam poucos dias para a convocação, marcada para o dia 18 de maio. Cada minuto em campo pesa na avaliação. Ou deveria pesar.
Ao se recusar a jogar no gramado sintético, Neymar tirou do técnico o que mais importa neste momento: a observação direta. Ritmo, mobilidade, confiança e intensidade não são medidos em treinos fechados ou relatórios médicos. São medidos em jogo. E Neymar não esteve em campo.
É legítimo que um jogador se preserve. Mas também é inevitável que isso gere questionamento quando a decisão interfere na avaliação técnica em um momento decisivo. Ainda mais quando todos os outros jogadores entram em campo nas mesmas condições.
O episódio fica ainda mais relevante quando se considera a Copa do Mundo de 2026. A Fifa não permitirá gramados 100% sintéticos, mas adotará o modelo híbrido em vários estádios. Esse modelo é composto por grama natural reforçada com fibras sintéticas. Ou seja, não é o tipo de campo que Neymar vem evitando.
Surge então um cenário desconfortável. Se o argumento é risco físico, como Neymar reagirá diante de um gramado híbrido em uma Copa? Ele jogará normalmente? Imporá restrições? Selecionará partidas? Não é apenas uma dúvida teórica. É uma questão prática que pode impactar o planejamento da seleção.
No futebol de alto nível, adaptação não é diferencial. É obrigação. Neste momento, Neymar parece caminhar na direção oposta. O clássico passou. O Palmeiras segue na liderança. O Santos segue pressionado. E Neymar segue sendo assunto, mas mais uma vez fora de campo.
