O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) anunciou que vai pedir a instauração de um processo disciplinar no Exército contra o general Emílio Ribeiro, chefe da assessoria da força terrestre no Congresso Nacional. O parlamentar, que é pré-candidato ao Senado, afirma ter sofrido uma tentativa de intimidação por parte do militar.
O caso ocorreu na última quarta-feira (29), após uma sessão da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. Van Hattem disse que foi abordado pelo general depois de fazer um pronunciamento crítico ao comandante do Exército, general Tomás Paiva, a quem chamou de “ajudante de ordens” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O deputado critica o Exército por não demonstrar solidariedade aos militares condenados por Moraes no julgamento da trama golpista. Na saída da comissão, segundo Van Hattem, houve um diálogo ríspido com o general Emílio. O parlamentar chegou a chamar o assessor e o comandante do Exército de “frouxos”, por se dobrarem a Moraes.
Van Hattem declarou que foi alvo de uma tentativa de constrangimento por parte do oficial. “É inacreditável que alguns representantes do generalato do Exército busquem ameaçar parlamentares dentro da Câmara por causa de suas opiniões. A censura feita por Alexandre de Moraes passou a ser ensinada ao comandante Tomás e a seus subordinados imediatos de ocasião? Essa postura mancha a reputação e a história do Exército brasileiro, sobre o qual respeito como instituição”, afirmou o deputado.
Além do pedido de processo disciplinar, o parlamentar anunciou que vai registrar boletim de ocorrência contra o general na Polícia Legislativa da Câmara. A liderança da oposição na Casa divulgou uma nota em solidariedade a Van Hattem. O incidente reacendeu o debate sobre a relação entre parlamentares e militares no Congresso Nacional, especialmente em torno das críticas à atuação do Exército em casos envolvendo decisões do Supremo Tribunal Federal. A assessoria do Exército ainda não se manifestou sobre o caso.
