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Jornada 40h: estudos divergem sobre impactos

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Jornada 40h: estudos divergem sobre impactos
escala 6x1

Estudos sobre os efeitos da redução da jornada de trabalho no Brasil apresentam conclusões opostas. Propostas que tramitam no Congresso Nacional sugerem diminuir a carga horária de 44 para 40 horas semanais e acabar com a escala 6×1. Economistas e entidades estão divididos sobre os resultados.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) preveem impactos negativos. A CNI calcula uma perda de R$ 76 bilhões no PIB, queda de 0,7%. No setor industrial, a redução seria de 1,2%. O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que a medida reduziria a competitividade, com queda nas exportações e aumento nas importações. A CNC estima um aumento de 21% nos custos da folha salarial. Isso poderia gerar um repasse de 13% nos preços ao consumidor, afetando a rentabilidade do comércio.

Por outro lado, análises da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram um cenário diferente. O Ipea indica que o custo extra com trabalhadores não passaria de 10% nos setores mais afetados, com média de 7,8%. No custo total das empresas, o impacto iria de 1% no comércio e indústria a 6,6% na vigilância e segurança. Felipe Pateo, autor do estudo, defende que a maioria dos setores pode absorver esses aumentos. Pequenas empresas com até nove funcionários poderiam precisar de apoio do governo durante a transição.

Sobre a inflação, o Ipea projeta um efeito limitado, de cerca de 1% nos preços, caso os empresários repassem todo o custo. A economista da Unicamp, Marilane Teixeira, diz que não há risco de alta generalizada de preços. Ela compara a proposta a reajustes do salário mínimo, que não geraram inflação elevada no passado. Segundo ela, a economia opera com capacidade ociosa, o que permite ajustes sem pressão inflacionária.

As divergências nos estudos vêm de premissas distintas. As entidades patronais assumem que menos horas trabalhadas levam a queda na produção. Já as análises da Unicamp consideram ajustes no mercado de trabalho, como a contratação de mais funcionários, o que poderia aumentar o consumo e o PIB. Marcelo Azevedo, da CNI, admite que as projeções simplificam a realidade e dependem de ganhos de produtividade, que estão estagnados no Brasil. Teixeira ressalta que o debate envolve aspectos políticos e distributivos, questionando como os lucros são divididos entre empregadores e trabalhadores.

O Ipea compara a proposta com os aumentos reais do salário mínimo nos anos 2000 e 2010, que não causaram efeitos negativos no emprego. Historicamente, a redução da jornada de 48 para 44 horas, prevista na Constituição de 1988, não resultou em perdas de emprego, segundo estudo de 2002 da PUC Rio e da USP. Azevedo contesta essa comparação, citando mudanças na economia brasileira, como a globalização e o comércio eletrônico atuais.

Nilson Tales Guimarães
Nilson Tales Guimarães

Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30…