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Tecnologia

TSE e Google criam ferramenta para candidatos rastrear deepfakes

Recurso do YouTube permite que quem disputa as eleições de 2026 identifique vídeos com IA que usem sua imagem sem autorização

Por · · 5 min de leitura
TSE e Google criam ferramenta para candidatos rastrear deepfakes

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Google anunciaram nesta quarta-feira (26 de agosto de 2026), em Brasília, uma parceria para ajudar candidatos das eleições de 2026 a identificar deepfakes e outros vídeos feitos com inteligência artificial que usem sua imagem sem permissão. A ferramenta, batizada de Likeness ID (ou Detecção por Semelhanças, em português), funciona dentro do YouTube e passa a estar disponível para quem vai disputar cargos neste ano.

Segundo o TSE e o Google, a ideia é dar aos próprios candidatos um jeito rápido de monitorar se sua aparência foi usada em vídeos publicados na plataforma sem autorização, algo que se tornou mais fácil de fazer com o avanço de ferramentas de IA generativa. A informação foi divulgada pelo BPMoney, pelo Jornal do Brasil e pelo Portal Terra da Luz.

Quem pode usar e como funciona o cadastro

O recurso é restrito a pessoas com mais de 18 anos e exige uma conta no YouTube, que pode ser criada exclusivamente para essa finalidade. O cadastro fica disponível na área de detecção por semelhança do YouTube Studio, painel de gestão de conteúdo da plataforma.

Para se cadastrar, o candidato precisa enviar um documento oficial com foto e gravar uma selfie em foto e vídeo, etapa que serve para confirmar a identidade de quem está pedindo o monitoramento. A partir desses dados, o YouTube cria um registro da aparência da pessoa, usado depois para cruzar com vídeos publicados na plataforma.

De acordo com as três reportagens, esse processamento inicial pode levar até dois dias antes de a varredura automática começar a funcionar.

O que acontece quando um vídeo suspeito é encontrado

Depois de ativado, o sistema passa a rastrear o YouTube em busca de vídeos que reproduzam a aparência cadastrada e avisa o usuário quando encontra algo parecido. Cabe então ao próprio candidato analisar o conteúdo apontado e decidir se pede a remoção.

Cada solicitação de remoção passa por análise do YouTube com base nas políticas de privacidade da plataforma. Se for constatada violação das regras, o vídeo é retirado do ar; caso contrário, permanece publicado.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a cooperação entre Justiça Eleitoral e empresas de tecnologia é uma resposta necessária ao ritmo de avanço da inteligência artificial generativa. "Tenho a certeza de que a união dos setores público e privado, em prol dos valores democráticos, é uma das mais significativas expressões do texto constitucional", disse o ministro, segundo o BPMoney e o Portal Terra da Luz.

Google cita proteção a mulheres candidatas

O presidente do Google Brasil e vice-presidente da Google Inc., Fábio Coelho, lembrou que a empresa mantém colaboração com a Justiça Eleitoral desde 2014 e defendeu que ferramentas como essa ajudam a reduzir difamação e conteúdo enganoso durante campanhas.

Coelho deu atenção especial ao impacto sobre candidatas mulheres. "Essa proteção vale para todo mundo, mas é ainda mais essencial para as mulheres, que costumam ser as maiores vítimas de ataques à imagem durante as eleições", afirmou o executivo, conforme registrado pelo BPMoney e pelo Portal Terra da Luz.

Ferramenta não substitui fiscalização eleitoral

Tanto o TSE quanto o Google reforçaram que o Likeness ID é um recurso complementar, e não um substituto da fiscalização feita pela Justiça Eleitoral. A análise de denúncias e a decisão final sobre irregularidades continuam dependendo de avaliação humana, seja da própria plataforma, seja dos órgãos eleitorais.

Segundo Nunes Marques, o objetivo é ampliar a capacidade de detectar conteúdos que possam prejudicar a imagem e a honra de candidatos, não automatizar decisões sobre o que fica ou sai do ar. O ministro disse ainda que o TSE vai continuar acompanhando o avanço de novas tecnologias e mantendo diálogo com plataformas digitais durante o período eleitoral de 2026.

O que o candidato precisa fazer na prática

Quem vai concorrer nas eleições de 2026 e quiser usar a ferramenta precisa, primeiro, ter ou criar uma conta no YouTube. Depois, acessar o YouTube Studio, localizar a área de detecção por semelhança, aceitar os termos de uso e enviar o documento oficial junto da selfie em foto e vídeo pedida no processo de verificação.

Vale reforçar que o cadastro não gera bloqueio automático de conteúdo: ele apenas avisa o candidato quando um vídeo parecido com sua aparência é publicado, e a remoção só ocorre depois de pedido específico e análise do YouTube. Nenhuma das fontes menciona custo para usar o recurso.

O que ainda falta esclarecer

As reportagens não detalham se o Likeness ID vale apenas para vídeos publicados no Brasil ou também identifica conteúdo hospedado fora do país, nem informam prazo médio de resposta do YouTube às solicitações de remoção depois que uma denúncia é enviada. Também não há, nas fontes, informação sobre se o recurso será estendido a outras plataformas de vídeo além do YouTube durante a campanha de 2026.

Por ora, a orientação prática para quem disputa cargo neste ano é simples: fazer o cadastro no YouTube Studio o quanto antes, já que o processamento inicial leva até dois dias, e acompanhar as notificações da plataforma para agir rápido caso apareça um vídeo suspeito. Quem não é candidato não tem acesso à ferramenta, que segue restrita a quem está no processo eleitoral. A expectativa do TSE é que essa camada extra de monitoramento ajude a conter danos à imagem antes que um conteúdo manipulado circule amplamente, mas a responsabilidade por identificar e denunciar o material continua sendo do próprio candidato.

Fontes consultadas

Mais sobre isso: as pautas de saúde e beleza e o acervo de insights.

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