Move Brasil sobe teto para R$ 200 mil: veja quem pode financiar
Nova portaria amplia limite de valor dos carros financiáveis por taxistas e motoristas de app e passa a aceitar mais modelos híbridos
O governo federal elevou de R$ 150 mil para R$ 200 mil o teto de financiamento do programa Move Brasil destinado a taxistas e motoristas de aplicativo. A mudança consta de portaria conjunta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e do Ministério da Fazenda, publicada em edição extra do Diário Oficial da União em 19 de agosto de 2026, segundo o Jornal Contábil e o meutudo.
A alteração também amplia a definição de veículo híbrido aceito pelo programa. Agora entram modelos que combinam motor elétrico com motor a combustão alimentado por gasolina, etanol ou os dois, conforme detalharam a CSB, o ICL Notícias, o Jornal Contábil e o meutudo.
Segundo o Mdic, com o novo limite a parcela do mercado nacional de automóveis coberta pelo programa sobe de 63% para 88%, tomando como base os emplacamentos registrados pela Fenabrave. Na prática, isso significa que carros de categorias mais caras, incluindo opções usadas em serviços como Uber Comfort, Uber Black e 99Plus, passam a caber dentro do financiamento.
Por que o governo mudou a regra
A revisão ocorre depois de o programa registrar adesão muito abaixo do esperado. Segundo a CSB, apenas 11% dos R$ 30 bilhões reservados à linha havia sido efetivamente liberado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) até o momento da mudança.
Motoristas relataram dificuldade para fechar contrato mesmo dentro das condições anunciadas, incluindo negativas de crédito e queda de pontuação no Serasa após consultas feitas por diferentes instituições financeiras, de acordo com a reportagem da CSB. O governo já vinha pressionando bancos públicos federais para ampliar a participação no programa.
A medida provisória que criou a linha, batizada de Move Aplicativos, foi publicada em junho e tem validade até 15 de setembro de 2026. A expectativa do governo é que o teto mais alto destrave parte da demanda represada.
Quem pode participar e quais as exigências
O programa é voltado a taxistas regularizados e a motoristas de aplicativo. Para estes, o ICL Notícias e o meutudo informam que é preciso ter cadastro ativo há pelo menos 12 meses na mesma plataforma e comprovar ao menos cem corridas realizadas nesse período.
O cadastro é feito pela conta gov.br, no site do Move Brasil. A análise de elegibilidade leva até cinco dias úteis e a resposta chega pela caixa postal do gov.br e também por WhatsApp, segundo o ICL Notícias. Depois de aprovado, o motorista precisa procurar concessionárias e bancos participantes para negociar o financiamento em si, já que a aprovação prévia não garante o crédito.
O valor considerado para enquadramento no teto de R$ 200 mil é o preço final que aparece na nota fiscal, já com eventuais descontos. Assim, um modelo com preço sugerido acima do limite ainda pode entrar no programa se o valor efetivamente pago ficar dentro da faixa, segundo o ICL Notícias.
Juros abaixo do mercado e bancos participantes
As taxas fixadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o Move Brasil são de 0,99% ao mês para homens e 0,91% ao mês para mulheres, o que equivale a cerca de 12,6% e 11,5% ao ano, respectivamente. A CSB aponta que a média do mercado para financiamento de veículos chega a 28% ao ano, distância que ajuda a explicar a resistência de parte do setor bancário em operar a linha nas condições propostas.
O financiamento pode ter prazo de até 72 meses, com carência de até seis meses antes do início do pagamento do valor principal. Segundo o meutudo, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil já operam a linha, e outras instituições, como Banco GM, Banco Stellantis, Banco Volkswagen, Banrisul, Sicoob e Sicred, também podem participar.
Quais carros passam a caber no novo teto
O ICL Notícias levantou exemplos de modelos que se encaixam na nova faixa de preço. Entre eles estão o BYD King GS 2027, oferecido por R$ 166.990 em uma concessionária do Rio de Janeiro, o GWM Ora 03 Bev58, a partir de R$ 169 mil, e o GWM Ora 5, anunciado por R$ 163.990.
Também entram o Omoda 5 Luxury, a partir de R$ 159.990, o elétrico Omoda E5, a partir de R$ 199 mil, e o Caoa Chery Tiggo 7 Pro Hybrid Max Drive, com preço sugerido de R$ 181.990. Na Fiat, o Fastback Abarth Turbo 270 Flex AT 2026 aparece em oferta para pessoa física por R$ 156.390.
Os veículos precisam ser fabricados por montadora habilitada no programa Mover, lista que inclui Volkswagen, Fiat, Renault, GM, Honda, Hyundai, Nissan, Peugeot, Toyota, BMW, BYD e GWM, conforme aponta a CSB. Desde julho, o programa também aceita a compra de seminovos elétricos ou híbridos flex fabricados a partir de 2024, segundo o ICL Notícias.
O que o motorista precisa fazer agora
Quem já tinha desistido do Move Brasil por não encontrar carro dentro do teto anterior pode refazer as contas: a lista de opções elegíveis cresceu de forma relevante, sobretudo entre híbridos e modelos de categorias mais altas usados em corridas premium de aplicativo. O cadastro continua sendo feito pela conta gov.br, e a aprovação prévia não substitui a análise de crédito que cada banco faz individualmente.
Ainda não há confirmação de quanto a mudança vai destravar, de fato, a liberação dos recursos: até a revisão do teto, só 11% dos R$ 30 bilhões previstos haviam saído do papel, e parte da dificuldade relatada por motoristas envolveu negativas de crédito, não apenas o valor do carro. Vale acompanhar se a ampliação da faixa de preço e da lista de híbridos vai se traduzir em mais contratos fechados, ou se o entrave seguirá concentrado na análise das instituições financeiras. A medida provisória que sustenta a linha de crédito para motoristas de aplicativo perde validade em 15 de setembro de 2026, o que também é um prazo a observar nas próximas semanas.
Fontes consultadas
Mais sobre isso: o acervo de entretenimento e as pautas de casa.



