Edição Sábado, 23 de Maio de 2026 NOTíCIAS
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Produtora de filme sobre Bolsonaro buscou Lei Rouanet

A sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse” sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Karina Ferreira da Gama, buscou a Lei Rouanet para captar R$ 8,59 milhões...

Produtora de filme sobre Bolsonaro buscou Lei Rouanet
Cartaz do filme Dark Horse | Reprodução (Instagram)

A sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse” sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Karina Ferreira da Gama, buscou a Lei Rouanet para captar R$ 8,59 milhões em recursos para quatro eventos. Entre os projetos estava um festival da Marcha para Jesus.

Os pedidos foram feitos pelo Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina. Ela conseguiu recursos para apenas uma atração, chamada “Rute – o Ballet”, que levantou R$ 107 mil com a lei de incentivo privado a iniciativas culturais, sob isenção de parte do Imposto de Renda.

A Lei Rouanet é alvo de ataques de bolsonaristas e foi citada nas respostas de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o site The Intercept Brasil revelar áudio em que o senador pediu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para bancar o filme Dark Horse. “O que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, afirmou o senador, em nota, no dia 13.

Na quinta-feira (21), o presidente Lula (PT) defendeu a Rouanet e disse que seu governo nunca foi atrás da “lei Daniel Vorcaro” para financiar artista, em crítica às conversas entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Procurada, Karina Gama não respondeu à reportagem. O Instituto Conhecer Brasil também não retornou.

O instituto tentou captar verbas pela Rouanet por projetos apresentados entre 2015 e 2019. O governo Bolsonaro aprovou o maior pedido, para captar R$ 5,9 milhões em shows ligados à Marcha para Jesus em 15 estados. Apresentado no fim de 2019, o plano era atrair 3 milhões de pessoas. Com a pandemia, o governo ampliou o prazo para captação até o fim de 2022, mas o instituto não levantou a verba.

Karina seria coordenadora-geral do festival itinerante. No projeto, afirmou que atuava havia 20 anos no desenvolvimento de planos estratégicos para empresas e governos. O Instituto Conhecer Brasil só levantou recursos para “Rute – o Ballet”, apresentado em 2019 e realizado em 2020. O governo autorizou captação de R$ 157 mil, dos quais R$ 107 mil foram obtidos.

A entidade ainda recebeu aval para captar recursos para o teatro “Turma do Smilinguido” e para a turnê da cantora Hadassah Perez, cerca de R$ 1,2 milhão cada, verba não obtida. Além da Go Up, Karina tem outras empresas do ramo cultural beneficiadas por verbas públicas.

O Conhecer Brasil firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo, na gestão Ricardo Nunes (MDB), para receber R$ 108 milhões para fornecer internet wi-fi em comunidades de baixa renda. O instituto também recebeu R$ 2 milhões em emendas do deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor e roteirista do filme. Karina afirmou que a contratação pela prefeitura foi regular, sem ligação com o filme.

Frias, ao justificar os repasses, disse que geriu bilhões da Lei Rouanet à frente da Secretaria Especial da Cultura e saiu do governo com as mãos limpas. Deputados estaduais também direcionaram R$ 700 mil a empresas e entidades ligadas à produtora.

Vorcaro pagou R$ 61 milhões para a produção de “Dark Horse”. Segundo o Intercept Brasil, o valor total negociado era de R$ 134 milhões, mas não há evidências de que todo o dinheiro tenha sido repassado. A Polícia Federal suspeita que o valor possa ter sido usado para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025. Flávio e Eduardo negam a versão. “Tem como comprovar. O que eu pedi hoje foi para o fundo privado disponibilizar o contrato ou que houvesse a prestação de contas pela produtora no Brasil”, disse Flávio na semana passada.

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