Edição Segunda, 13 de Abril de 2026 NOTíCIAS
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Dólar cai após Trump sinalizar acordo com Irã

O dólar fechou abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos nesta segunda-feira, dia 13. A queda veio após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre...

Dólar cai após Trump sinalizar acordo com Irã
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O dólar fechou abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos nesta segunda-feira, dia 13. A queda veio após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um possível acordo com o Irã.

A moeda norte-americana terminou o dia cotada a R$ 4,997, uma queda de 0,26% em relação à sexta-feira anterior. Este é o menor valor desde 27 de março de 2024, quando atingiu R$ 4,980.

A moeda voltou a operar abaixo da barreira psicológica dos R$ 5 no início da tarde. O movimento ocorreu depois que Trump afirmou que Teerã quer fazer um acordo para encerrar o conflito que começou no final de fevereiro. O governo iraniano não confirmou a iniciativa, mas os mercados viram a fala como um sinal de trégua, o que reduziu o temor de uma nova escalada nos ataques.

O alívio também atingiu a Bolsa de Valores brasileira. O Ibovespa fechou em alta de 0,34%, a 198.000 pontos, um novo recorde histórico. No pico do dia, o índice chegou a 198.173 pontos.

“Os Estados Unidos voltaram a falar em um acordo e que as negociações vão continuar, o que já era o esperado”, disse Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos. “Dificilmente os dois países iriam chegar a um consenso logo na primeira negociação”.

Ele ainda comentou sobre o cenário nacional: “Mas, falando sobre o Brasil especificamente, o fluxo estrangeiro está muito positivo para nós há algum tempo. O mercado está otimista com o país, seja para investir na Bolsa, seja para investir em outros ativos, e isso ajuda a apreciar ainda mais o câmbio”.

O dólar já vinha sendo pressionado para baixo na semana passada. Na sexta-feira, a moeda testou o patamar de R$ 5 pela primeira vez desde que atingiu esse valor, impulsionada pelo otimismo com uma trégua no Oriente Médio e pelo custo-oportunidade de investir no Brasil.

O fracasso das negociações entre EUA e Irã no final de semana gerou cautela nos mercados pela manhã. O dólar chegou a atingir a máxima de R$ 5,039, e a Bolsa, a mínima de 196.222 pontos. A tendência foi revertida à tarde com as declarações de Trump na Casa Branca.

Até então, havia poucos sinais de que as negociações estavam de volta aos trilhos. Investidores chegaram a temer uma retomada dos ataques devido ao impasse e à escalada no tom entre os dois países.

O Irã culpou os Estados Unidos pelo colapso das negociações e não confirmou novas conversas nesta segunda-feira. “Fomos contatados esta manhã pelas pessoas certas, as pessoas apropriadas, e elas querem chegar a um acordo”, disse Trump, sem dar detalhes.

A declaração ocorre após o bloqueio do Estreito de Hormuz às 11h (horário de Brasília), uma medida determinada por Trump no domingo, dia 12, após o fracasso das delegações em chegar a um acordo.

O bloqueio também foi uma resposta à cobrança de um pedágio pelas embarcações. Em vez de reabrir a passagem como combinado na trégua, o Irã estabeleceu uma rota que, segundo ele, evita minas e passa por suas águas territoriais. Um petroleiro precisaria pagar US$ 1 em criptomoedas por cada barril de óleo transportado.

Os militares americanos disseram que o bloqueio “será realizado de maneira imparcial contra embarcações de todos os países que entrem ou partam de portos e áreas costeiras do Irã”. Eles afirmaram que não impediriam a navegação de barcos “que cruzem o estreito de Hormuz vindo de ou com destino a portos não-iranianos”.

Neste cenário, o preço do petróleo Brent voltou a cruzar a marca de US$ 100 o barril, com alta de até 7%. À tarde, com o sinal de trégua, os ganhos desaceleraram para 3%, ficando em US$ 98 o barril. Ações europeias e asiáticas fecharam em baixa, enquanto os índices acionários nos EUA avançaram até 1,2%.

“Os mercados estão tentando filtrar o turbilhão de manchetes. Até agora, pelo menos, estão lidando relativamente bem com as notícias, pois ainda não vimos um retorno dos preços aos níveis anteriores ao cessar-fogo”, disse Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado global da Ebury.

“Isso sugere que os investidores talvez vejam a ruptura nas negociações mais como um obstáculo no caminho e um sinal de jogo de pressão, em vez de algo que necessariamente possa atrapalhar o caminho para a paz”, completou.

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