A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva decidiu permanecer na Rede Sustentabilidade, partido pelo qual será candidata nas próximas eleições. A federação formada pela Rede com o PSOL tem como preferência que ela dispute uma vaga ao Senado por São Paulo.
Ela enfrenta uma disputa interna na sigla com a ala ligada à deputada federal Heloísa Helena (RJ), que atualmente comanda o partido. Marina havia admitido convites para se filiar a outras legendas, como PT, PV, PSOL e PSB, mas já indicava que poderia ficar na Rede.
A decisão de continuar no partido que ajudou a fundar foi tomada na sexta-feira (3), último dia da janela partidária, após uma reunião com integrantes da federação. O partido passou por uma saída de diversos quadros no último mês.
Durante o encontro, as legendas manifestaram a preferência de lançar Marina ao Senado ao lado de Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento. A chapa terá o petista Fernando Haddad concorrendo ao Governo do estado.
O presidente da federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, disse à reportagem que Marina é o nome que defenderão para o Senado junto aos demais partidos.
Contudo, ainda existe um impasse sobre quem serão os candidatos às duas cadeiras no Senado pela chapa. O presidente Lula (PT) já manifestou o desejo de que Marina e Tebet disputem as vagas.
No entanto, o ex-ministro Márcio França (PSB) também deixou o governo com o objetivo de concorrer ao Senado. Como Tebet e França são do mesmo partido, e a candidatura dela é considerada certa, a coordenação da chapa busca uma solução.
A intenção é que as vagas majoritárias sejam preenchidas por candidatos de siglas diferentes para acomodar mais aliados da frente política no estado. Há receio de que França lance sua candidatura mesmo sem o apoio do PT.
Na Rede e no PSOL, prevalece a avaliação de que Marina precisa estar no palanque paulista de qualquer forma. Por isso, as legendas não descartam, mesmo contrariadas, lançar a ex-ministra novamente como deputada federal.
Essa foi a posição que ela concorreu em 2022, quando foi eleita com 237,5 mil votos. Essa possibilidade, no entanto, ainda está sendo discutida.
Marina deixou o Ministério do Meio Ambiente na quarta-feira (1º). Durante sua gestão, iniciada em 2023, os índices de desmatamento na Amazônia registraram queda e houve ampliação nas políticas de combate a crimes ambientais.
Ela também enfrentou perdas, como a autorização para busca de petróleo na bacia Foz do Amazonas e a aprovação do chamado “pacote da destruição”, um conjunto de leis que afrouxam a proteção ambiental. O cenário político continua em definição enquanto os partidos ajustam suas estratégias para as eleições.
