A Lego reuniu Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Kylian Mbappé e Vinícius Júnior em um vídeo de 60 segundos. A ação é rara, cara e muito bem calculada. No meio de tantas estrelas, porém, uma ausência chama mais atenção do que qualquer presença: a de Neymar.
A pergunta que fica é por que ele ficou de fora. A resposta não está no marketing, mas no protagonismo, ou na falta dele.
Um levantamento da revista Forbes Brasil mostra que a campanha pode ter custado mais de US$ 8 milhões, o equivalente a quase R$ 50 milhões, só em contratos. Um investimento dessa magnitude não deixa espaço para dúvidas ou apostas. Só participa quem está no topo da relevância mundial.
Cristiano Ronaldo, Messi, Mbappé e Vinícius Júnior têm algo em comum: o protagonismo ativo. Um ponto importante é que Messi e Cristiano Ronaldo já não atuam no futebol europeu. Eles jogam agora em ligas menos competitivas, nos Estados Unidos e na Arábia Saudita, em cenários esportivos considerados inferiores. De certa forma, estão até abaixo do nível do Campeonato Brasileiro. Isso, no entanto, não reduziu o impacto deles.
Messi segue sendo decisivo e influente, o centro do jogo. Cristiano Ronaldo mantém números altos, busca seu milésimo gol e tem visibilidade global. Os dois continuam entregando o que o mercado mais valoriza: performance aliada à capacidade de gerar atenção.
Neymar, não. Ele ainda é um dos nomes mais conhecidos do planeta. Tem engajamento, história e apelo comercial. No entanto, deixou de ser um protagonista dentro de campo. E hoje esse fator pesa mais do que qualquer número de seguidores nas redes sociais.
A comparação se torna inevitável. Se Messi e Cristiano Ronaldo mantêm a relevância mesmo fora da Europa, é porque seguem entregando resultados. Neymar, mesmo após retornar ao Brasil para jogar no Santos, um clube de grande tradição, não transformou esse retorno em um protagonismo esportivo consistente.
Falta a ele sequência, impacto e presença decisiva nos jogos. Sem esses elementos, o mercado reage. A ausência na campanha da Lego é simbólica. Não se trata apenas de uma escolha criativa, mas de uma decisão estratégica. As marcas não compram apenas nomes famosos. Elas compram o momento. E, no momento atual, Neymar não está no centro das atenções.
O aspecto mais interessante é que essa situação não é definitiva. O futebol permite reviravoltas rápidas. Neymar tem talento de sobra para voltar a ser protagonista, inclusive atuando no Brasil, liderando dentro de campo e recuperando seu peso global. Para isso, porém, precisa fazer o que sempre o colocou no topo: jogar bem e decidir partidas.
Enquanto essa mudança não ocorre, campanhas como a da Lego funcionam como um termômetro silencioso. Entre os atletas mais midiáticos do mundo, Neymar já não é mais uma presença obrigatória.
Em um mercado onde cada segundo de propaganda vale milhões de dólares, ficar de fora de uma produção como essa pode dizer mais do que estar nela.
