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Saúde e Beleza

Carboxiterapia para celulite: o que a injeção de gás carbônico faz de verdade

Há evidência para celulite leve e estrias recentes, evidência fraca para gordura e uma lista de contraindicações.

Por · · 6 min de leitura
Profissional de luvas rosa aplicando tratamento estético no rosto de uma cliente deitada

Profissional de luvas rosa aplicando tratamento estético no rosto de uma cliente deitada

Imagine uma mulher de 34 anos que passa numa clínica de estética e vê a promessa de "gás carbônico que dissolve a celulite" em dez sessões. O nome técnico é carboxiterapia para celulite: injeção de gás carbônico medicinal sob a pele com agulha fina. Ela quer saber se dói, se funciona e se é seguro antes de fechar o pacote. As três perguntas têm resposta, e nenhuma delas é a do anúncio.

Este texto explica como o procedimento funciona no tecido, para que indicações há evidência e para quais não há, quantas sessões costumam ser feitas e o que se sente durante e depois. Também lista as contraindicações e o que conferir sobre o profissional e o equipamento antes de aceitar.

Como a técnica age no tecido

O gás injetado provoca uma resposta local: o organismo interpreta o excesso de gás carbônico como falta de oxigênio e aumenta o fluxo de sangue na área, com dilatação dos vasos. Esse aumento de circulação é a base de todos os efeitos descritos, da melhora da textura da pele à redução de edema.

O gás é absorvido e eliminado pela respiração em minutos, porque o corpo lida com ele o tempo todo.

Na celulite, o que se busca com esse aumento de fluxo é reduzir a retenção de líquido entre os lóbulos de gordura e estimular o colágeno da pele, o que suaviza o relevo; a gordura em si quase não muda.

O que a técnica promete em gordura localizada depende de outro mecanismo, e é onde a evidência afina.

Carboxiterapia para celulite e outras indicações: onde há evidência

A tabela separa o que os estudos sustentam do que é promessa comercial.

IndicaçãoO que os estudos mostramExpectativa realista
Celulite leve a moderadaMelhora da textura e da elasticidade em séries de casos e pequenos ensaiosRedução visual do aspecto, não eliminação
Estrias recentesMelhora de cor e relevo, em especial nas avermelhadasEstria branca antiga responde pouco
Olheiras e flacidez leveRelatos de melhora da circulação localEfeito discreto e temporário
Gordura localizadaEvidência fraca; redução de medidas pequena e inconsistenteNão substitui dieta, exercício ou outros métodos
Cicatrizes e pós-operatórioUso em fibrose pós-lipoaspiração com resultados favoráveis em relatosDepende da avaliação do cirurgião
AlopeciaEstudos iniciais, sem consensoAinda experimental

Ao lado da técnica clássica surgiram equipamentos e marcas que aplicam o gás com nomes próprios e protocolos específicos, e vale entender o que muda em cada um. O texto sobre como funciona a Carbox explica um desses sistemas e o que ele tem de diferente do método tradicional.

Como é a sessão

A sequência abaixo é o que acontece numa aplicação padrão.

  1. Avaliação da área, marcação dos pontos e limpeza da pele com antisséptico.
  2. Injeção do gás com agulha muito fina, ligada a um aparelho que controla fluxo e volume; cada ponto recebe uma quantidade pequena.
  3. Sensação de pressão, formigamento e estufamento local, com crepitação sob a pele que some em minutos.
  4. Duração de 15 a 30 minutos, conforme a extensão da área.
  5. Vermelhidão e pequenos hematomas nos pontos, que somem em dias; não há necessidade de repouso.
  6. Sessões semanais ou quinzenais, em séries de oito a doze, com manutenção mensal em quem obtém resultado.

Dói? O que se sente depois?

A agulha é fina, mas a entrada do gás distende o tecido e produz ardor e pressão que a maioria descreve como incômodo tolerável, mais forte em coxas e glúteos do que no rosto. Anestésico tópico reduz a sensação da picada, não a da distensão.

Depois, a pele fica inchada por algumas horas, com pontos avermelhados e, às vezes, roxos. Dor persistente, calor ou febre não fazem parte do quadro e pedem contato com quem aplicou.

O desconforto cresce com o volume por ponto, e aparelho bem regulado faz diferença.

Contraindicações e riscos

Gestantes, pessoas com insuficiência respiratória ou cardíaca descompensada, hipertensão não controlada, infecção ativa na área, epilepsia sem controle e uso de anticoagulante estão fora da indicação. Diabéticos precisam de avaliação por causa da cicatrização.

O risco maior não é o gás, é a aplicação errada: gás não medicinal, agulha reutilizada ou volume excessivo. Enfisema subcutâneo extenso e infecção são as complicações descritas nesses casos.

Gás carbônico medicinal, com registro na Anvisa, é obrigatório.

Quem faz o procedimento em clínica que usa cilindro de gás industrial, sem registro, corre risco de contaminação e de impurezas injetadas sob a pele, e isso já rendeu interdições sanitárias.

O que conferir antes de aceitar

Perguntar quem aplica e com que formação; no Brasil, médicos, biomédicos, fisioterapeutas e farmacêuticos com habilitação em estética têm regulamentação para o procedimento, e cada conselho define os limites. Pedir para ver o cilindro de gás medicinal e o registro do aparelho. Desconfiar de promessa de perda de medidas e de pacotes grandes pagos antes da primeira sessão.

Resultado, quando vem, aparece a partir da quarta ou quinta sessão, e a primeira serve para avaliar tolerância.

Foto antes e depois com a mesma luz mede o resultado, não a impressão do espelho.

Vale também combinar com quem aplica o que acontece se não houver resposta até a sexta sessão: interromper sem pagar o restante é uma cláusula razoável, e a clínica séria aceita.

Perguntas frequentes sobre carboxiterapia para celulite

Carboxiterapia para celulite funciona?

Melhora o aspecto da celulite leve a moderada pela maior circulação local, em séries de oito a doze sessões. Não elimina a celulite nem substitui exercício.

Dói?

Incomoda: pressão, ardor e formigamento na entrada do gás, mais forte em coxas e glúteos. Anestésico tópico reduz a picada, não a distensão.

Quantas sessões são necessárias?

Em geral entre oito e doze, semanais ou quinzenais, com manutenção mensal em quem responde.

Serve para gordura localizada?

A evidência é fraca e a redução de medidas, quando existe, é pequena. Não é método de emagrecimento.

Quem não pode fazer?

Gestantes, quem tem doença cardíaca ou respiratória descompensada, hipertensão sem controle, infecção na área, epilepsia sem controle e uso de anticoagulante.

Quem pode aplicar?

Profissionais de saúde com habilitação em estética conforme seu conselho: médicos, biomédicos, fisioterapeutas e farmacêuticos, com gás medicinal e aparelho registrado.

Resumo

A carboxiterapia para celulite injeta gás carbônico medicinal sob a pele e age pelo aumento da circulação local; tem evidência para melhorar o aspecto da celulite leve, estrias recentes e fibrose pós-cirúrgica, e evidência fraca para gordura localizada. A sessão dura de 15 a 30 minutos, incomoda mais do que dói e deixa pontos avermelhados por dias; a série tem cerca de dez aplicações. Gestantes e pessoas com doença cardíaca, respiratória ou hipertensão descompensada não fazem. Gás medicinal registrado, aparelho regulado e profissional habilitado são o que separa procedimento de risco.

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