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Bursite no ombro pode aposentar: auxílio, perícia e o que muda no trabalho

Se bursite no ombro pode aposentar depende da perícia do INSS, e a resposta raramente é a que se espera.

Por · · 6 min de leitura
Fila longa de pessoas em uma calçada à espera de atendimento em um prédio público

Fila longa de pessoas em uma calçada à espera de atendimento em um prédio público

Uma operadora de caixa de supermercado, 48 anos, vinte deles passando mercadoria com o braço direito, chega ao consultório com o laudo do ultrassom: bursite subacromial e tendinite do supraespinhal. Ela já esgotou o prazo de atestado da empresa, e o que quer saber é se bursite no ombro pode aposentar. A resposta honesta tem duas partes, e a segunda costuma decepcionar: pode gerar afastamento com benefício do INSS, mas a aposentadoria por incapacidade é rara para esse diagnóstico.

A diferença está no que a perícia avalia. O perito não olha o nome da doença, e sim o que ela impede o trabalhador de fazer, por quanto tempo e se existe tratamento capaz de reverter. Bursite é uma inflamação que responde a tratamento na maior parte dos casos, e por isso o caminho habitual é o benefício temporário, com reavaliação. Um médico especializado em ombro pode documentar o quadro de forma que a perícia entenda a limitação real, e é esse laudo que faz diferença.

Os três benefícios que entram na conversa

O primeiro é o auxílio por incapacidade temporária, o antigo auxílio-doença, pago pelo INSS do 16º dia de afastamento em diante, enquanto a pessoa não consegue trabalhar e há expectativa de recuperação. É o mais comum para bursite.

O segundo é a aposentadoria por incapacidade permanente, a antiga por invalidez, concedida quando a perícia conclui que não há tratamento nem reabilitação capazes de devolver a capacidade para qualquer trabalho. Para bursite isolada, é excepcional.

O terceiro é a reabilitação profissional, em que o INSS treina a pessoa para outra função compatível com a limitação. É o desfecho mais frequente para quem tem bursite crônica e trabalho braçal, e muita gente nem sabe que existe.

Bursite no ombro pode aposentar: o que a perícia pesa

A tabela relaciona os fatores que o perito considera com o desfecho mais provável em cada cenário.

CenárioO que pesaDesfecho mais comum
Bursite aguda, primeiro episódioTratamento em andamento, prognóstico bomAfastamento pela empresa até 15 dias, sem INSS
Bursite que passou de 15 dias, trabalho braçalFunção exige braço acima da cabeça ou cargaAuxílio por incapacidade temporária, com reavaliação
Bursite crônica com lesão do tendãoRessonância com ruptura, fraqueza documentadaAuxílio prolongado; cirurgia e nova perícia
Bursite crônica sem resposta, função incompatívelTratamentos esgotados, limitação permanente para a função atualReabilitação profissional para outra atividade
Limitação para qualquer trabalho, sem reabilitação viávelIdade, escolaridade, outras doenças somadasAposentadoria por incapacidade permanente, rara

O caminho do pedido, passo a passo

Quem tem bursite e não consegue trabalhar segue esta ordem, e cada etapa gera um documento que a seguinte vai pedir:

  1. Consulta com ortopedista e início do tratamento: fisioterapia, medicação e, se preciso, infiltração.
  2. Atestado com CID M75.5 para bursite do ombro, entregue à empresa, que paga os primeiros 15 dias.
  3. No 16º dia, agendamento da perícia pelo aplicativo ou telefone 135 do INSS.
  4. Na perícia, apresentar laudo detalhado, exames de imagem, relatório da fisioterapia e descrição da função exercida.
  5. Se concedido, cumprir o tratamento e guardar comprovantes; o perito fixa a data de reavaliação.
  6. Se a limitação persistir para a função atual, pedir o encaminhamento à reabilitação profissional.

O que o laudo precisa dizer

"Paciente com bursite no ombro direito" não basta. O laudo que funciona na perícia descreve a limitação em termos de função: não eleva o braço acima de 90 graus, não sustenta carga superior a dois quilos com o membro direito, dor noturna que impede o sono há mais de oito semanas, sem melhora após vinte sessões de fisioterapia e duas infiltrações.

Também precisa citar o tempo estimado de tratamento e a relação com a atividade profissional. É esse cruzamento entre o que a pessoa não faz e o que a função exige que o perito avalia.

Bursite como doença do trabalho

Quando a bursite tem relação com o trabalho, como na operadora de caixa ou no pintor, ela pode ser reconhecida como doença ocupacional. Isso muda o benefício para a modalidade acidentária, que garante estabilidade de 12 meses depois da alta e depósito do FGTS durante o afastamento.

Para isso, a empresa emite a CAT ou o próprio trabalhador, o sindicato ou o médico a emitem. O perito do INSS pode reconhecer o nexo mesmo sem a CAT, com base na função e no laudo. Vale pedir.

Por que a aposentadoria é rara

Bursite é inflamação, e inflamação responde a tratamento. A perícia parte do princípio de que fisioterapia, infiltração, mudança de função e, quando há lesão de tendão, cirurgia recuperam a capacidade. Aposentar exige que nada disso funcione e que não exista reabilitação viável para outra atividade.

Isso acontece quando a bursite vem somada a outras doenças, como artrose avançada, ruptura extensa do manguito que não pôde ser reparada, ou condições de outros sistemas, em pessoa de idade avançada e baixa escolaridade. Aí o conjunto, e não a bursite, sustenta o pedido.

O que muda no trabalho enquanto trata

Mesmo sem afastamento, dá para pedir adequação de função: evitar tarefas com o braço acima da cabeça, reduzir carga, alternar postos. A recomendação vem no laudo do ortopedista e é entregue ao médico do trabalho da empresa.

Manter a atividade adaptada, quando possível, costuma ser melhor para o ombro do que o afastamento total, porque o movimento controlado faz parte do tratamento da bursite.

Perguntas frequentes sobre bursite no ombro e aposentadoria

Bursite no ombro dá direito a auxílio-doença?

Dá, quando o afastamento passa de 15 dias e a perícia confirma a incapacidade temporária para a função. O nome atual do benefício mudou, mas a regra é a mesma.

Qual o CID da bursite no ombro?

M75.5. Ele deve constar no atestado e no laudo entregue na perícia.

Quanto tempo de afastamento é comum?

De duas semanas a três meses, conforme o trabalho e a resposta ao tratamento. Casos com cirurgia podem passar de quatro meses.

Bursite crônica aposenta?

Raramente. O desfecho habitual é a reabilitação profissional para outra função. Aposentar exige incapacidade para qualquer trabalho.

Preciso de advogado?

Não para pedir o benefício. Ajuda em caso de negativa e recurso, ou para discutir o reconhecimento de doença do trabalho.

O que levar na perícia?

Laudo do ortopedista com a limitação funcional, exames de imagem, relatório da fisioterapia, receitas e a descrição da função que exerce.

Resumo

Bursite no ombro pode aposentar só em situações excepcionais, quando se soma a outras doenças e a reabilitação não é viável. O caminho habitual é o auxílio temporário do 16º dia em diante, a reabilitação profissional quando a função é incompatível e, nos casos ligados ao trabalho, o benefício acidentário com estabilidade. O que decide a perícia é o laudo que descreve a limitação em termos de função, não o nome da doença.

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