Edição Quarta, 15 de Abril de 2026 NOTíCIAS
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USP: estudantes votam greve; duas unidades aprovam

Após uma paralisação realizada na última terça-feira (14), os estudantes da USP (Universidade de São Paulo) iniciaram o processo de votação para decidir sobre uma greve. Até o momento, os...

USP: estudantes votam greve; duas unidades aprovam
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Após uma paralisação realizada na última terça-feira (14), os estudantes da USP (Universidade de São Paulo) iniciaram o processo de votação para decidir sobre uma greve. Até o momento, os alunos da Each (Escola de Artes, Ciências e Humanidades) e da Faud (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design) já aprovaram o boicote às aulas.

Uma assembleia geral foi convocada pelo DCE (Diretório Central dos Estudantes) para as 18h desta quarta, na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), com o objetivo de discutir e estruturar melhor a mobilização. A expectativa é que, nos próximos dias, cada unidade de ensino realize suas próprias votações.

Entre as principais reivindicações dos estudantes estão melhores condições de permanência, como o aumento no valor das bolsas, e a denúncia sobre a qualidade dos serviços nos restaurantes universitários. Nas últimas semanas, houve relatos de refeições estragadas e até com larvas sendo servidas, sobretudo na Faculdade de Direito. Esses restaurantes são administrados por empresas terceirizadas.

O movimento estudantil se inspira na paralisação dos servidores técnico-administrativos, que também deflagraram greve na terça-feira. O diretório estudantil afirmou que a situação “não acontece do nada” e citou a luta dos funcionários por reajuste salarial e isonomia.

A greve dos servidores tem como motivo principal a aprovação de um bônus para os professores da universidade, chamado de Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas). A medida, aprovada pelo Conselho Universitário em 31 de março, prevê um pagamento extra de R$ 4.500 para docentes que assumirem projetos considerados estratégicos.

Essa gratificação, uma promessa de campanha do atual reitor Aluisio Segurado, representa um impacto anual de R$ 238,44 milhões para os cofres da universidade. Considerando o salário inicial de um professor-doutor, que é de R$ 16.353,01, o bônus significaria um aumento de 27,5%.

Foi essa polêmica em torno do Gace que deu início ao movimento dos estudantes. Eles realizaram uma paralisação com a adesão de mais de 100 cursos e agora avaliam aderir à greve dos servidores. O DCE avalia que a mobilização é “irreversível” e que só será encerrada com conquistas concretas.

Posicionamento da Universidade

Em nota divulgada após a aprovação da gratificação, o reitor Aluisio Segurado defendeu a medida. Ele disse que o objetivo é valorizar as atividades acadêmicas e a carreira docente, visando o reconhecimento e a retenção de talentos, além de estimular a excelência acadêmica.

Segurado também mencionou que a universidade possui projetos para os servidores técnico-administrativos, incluindo a análise da viabilidade de uma proposta de valorização para essa categoria. A gestão anunciou ainda o reajuste de alguns benefícios a partir de abril.

O vale-alimentação passará de R$ 1.950 para R$ 2.050. O vale-refeição terá seu valor diário aumentado de R$ 45 para R$ 65. O auxílio-saúde terá reajuste de 14,3%, com pagamento a partir de maio de 2026.

A reportagem entrou em contato com a reitoria novamente na manhã desta quarta-feira, mas não obteve uma nova manifestação até o momento da publicação.

Sobre a política de permanência estudantil, a USP informou que, em 2023, estabeleceu uma política para dar suporte aos alunos. Os beneficiários são selecionados por um questionário que considera a vulnerabilidade socioeconômica. A universidade afirma que, entre 2023 e 2025, 41,7% dos contemplados vinham de famílias com renda inferior a meio salário mínimo paulista (R$ 1.804).

Quanto às denúncias sobre os restaurantes, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento informou que equipes técnicas estão visitando as unidades para apurar os relatos e que medidas administrativas estão sendo tomadas.

Histórico de Mobilizações

Desde o início dos anos 2000, a USP registra uma sequência de greves com pautas recorrentes, como reajuste salarial, financiamento e políticas de permanência estudantil.

Alguns dos episódios mais marcantes foram a longa paralisação da FFLCH em 2002, devido à falta de professores; a ocupação da reitoria em 2007, em defesa da autonomia universitária; e a greve de 2014, a maior da história da instituição, com 116 dias de duração durante uma crise financeira.

Nos anos seguintes, novas paralisações mantiveram o foco na recomposição salarial e nas condições de ensino. A mais recente, em 2023, foi motivada pelo déficit no quadro de professores da universidade.

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