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Relator aprova PEC 6×1 com transição gradual

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Relator aprova PEC 6x1 com transição gradual
paulo azi uniao brasil

O relator da PEC da jornada 6×1, deputado federal Paulo Azi (União Brasil-BA), apresentou seu parecer nesta quarta-feira, dia 15. Ele votou pela admissibilidade da proposta na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

Na CCJ, os parlamentares avaliam apenas a legalidade da proposta. Por isso, o relatório não altera o texto original das propostas dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erica Hilton (PSOL-SP), mantendo as previsões sobre a jornada de trabalho. O parecer está na pauta da comissão para ser votado nesta quarta.

Entretanto, o relator incluiu no documento algumas recomendações para a futura comissão de mérito, que será criada para analisar o conteúdo da PEC. Ele sugeriu a discussão de uma regra de transição, para que a redução da jornada seja implementada de forma progressiva ao longo dos anos. O texto cita exemplos de outros países que adotaram cronogramas escalonados para mudanças similares.

Paulo Azi já havia manifestado a opinião de que uma Proposta de Emenda à Constituição poderia não ser o melhor caminho para definir escalas de trabalho. Em seu relatório, ele afirma que incluir uma escala específica na Constituição pode limitar excessivamente a capacidade de legislar do Congresso Nacional.

Para o relator, a definição de escalas de trabalho é um assunto mais adequado para as negociações coletivas. Isso permitiria considerar as particularidades de cada setor da economia e as escalas especiais que já existem.

Na terça-feira, dia 14, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou ao deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) que enviaria um projeto de lei próprio sobre o assunto. O texto teria regime de urgência constitucional, o que obriga a votação pelo Congresso em um prazo de 45 dias. O projeto do governo foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União no início da noite de terça.

A proposta do governo é diferente das PECs em tramitação. Trata-se de um projeto de lei que altera a CLT e outras leis que regulamentam profissões específicas. Entre as categorias citadas estão aeronautas, vigilantes de instituições financeiras, comerciários e radialistas.

No relatório entregue à CCJ, o deputado Paulo Azi ainda recomenda que a futura comissão de mérito avalie com cuidado a adoção de mecanismos de compensação. A ideia seria criar instrumentos para mitigar os possíveis impactos da redução da jornada de trabalho.

A tramitação da PEC 6×1 segue agora para a avaliação da Comissão de Constituição e Justiça, que decidirá sobre sua admissibilidade. Caso aprovada nessa etapa, a proposta seguirá para a análise de uma comissão especial que discutirá o mérito da mudança. Paralelamente, o projeto de lei enviado pelo governo também começará a tramitar no Congresso Nacional, num prazo mais curto devido ao regime de urgência.

O debate sobre a redução da jornada de trabalho sem corte de salários é antigo no Brasil. A proposta central é mudar a jornada máxima semanal de 44 horas para 40 horas. A escala 6×1, que significa trabalhar seis dias para ter um de folga, é um dos pontos mais discutidos, pois atualmente é permitida pela legislação, mas com restrições. Muitas categorias de trabalhadores buscam uma organização de escalas que garanta mais descanso.

As opiniões sobre o tema são diversas. Representantes de empregadores costumam argumentar que a mudança pode gerar custos e impactar a produtividade. Já as entidades sindicais defendem que a redução é uma conquista necessária e que pode até gerar mais empregos. O relator, ao sugerir uma transição gradual e a análise de medidas compensatórias, tenta encontrar um caminho que equilibre essas diferentes visões durante a discussão no Congresso.

Nilson Tales Guimarães
Nilson Tales Guimarães

Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30…