Edição Sexta, 05 de Junho de 2026 NOTíCIAS
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ONG de produtora de Dark Horse contratou advogado de Mário Frias

O Instituto Conhecer Brasil (ICB) contratou um escritório de advocacia que representou o deputado federal Mário Frias (PL-SP) em quatro ações na Justiça para atuar na execução de um programa...

ONG de produtora de Dark Horse contratou advogado de Mário Frias
Dark Horse, filme sobre Bolsonaro, estreia com lançamento mundial em 11 de setembro | Reprodução (Instagram)

O Instituto Conhecer Brasil (ICB) contratou um escritório de advocacia que representou o deputado federal Mário Frias (PL-SP) em quatro ações na Justiça para atuar na execução de um programa com a Prefeitura de São Paulo. O programa é alvo da Polícia Civil por suspeita de fraude e desvio de recurso público, o que motivou uma operação com buscas e apreensões na última segunda-feira, 1.

O advogado recebeu R$ 341,9 mil da ONG sem o detalhamento do serviço prestado, segundo prestação de contas a que o Estadão teve acesso. A contratação foi revelada pelo portal UOL.

O ICB é presidido por Karina da Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O roteiro do longa é assinado por Frias. A Polícia Civil suspeita de confusão patrimonial entre o instituto e a produtora e que parte do dinheiro do contrato tenha sido desviado para custear o filme.

Em junho de 2024, a entidade fechou um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de wi-fi livre em comunidades de baixa renda da capital.

O delegado Antônio Carlos Munuera Silveira, titular da 2.ª DICCA, escreveu em ofício que há “suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido desviados para custear a produção do filme”. Ele requisitou ao Coaf a análise das movimentações financeiras de Karina, do ICB e da produtora.

O convênio prevê a instalação de 5 mil pontos de acesso à internet, dos quais 3.200 foram implementados. Em dezembro de 2025, o contrato recebeu um aditivo de R$ 49,1 milhões, elevando os repasses para R$ 157,1 milhões.

Segundo a prestação de contas, de julho de 2024 a julho de 2025, foram feitos 12 pagamentos ao escritório Aguilera Martinez, totalizando R$ 341,9 mil. As despesas são descritas como “prestação de serviços jurídicos”, sem detalhamento. No mesmo período, o escritório representou Frias em três processos na Justiça Eleitoral e um na Justiça Estadual de São Paulo.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo negou irregularidades. Chamou os fatos de “ilação irresponsável”, “sem fundamento” e “sem provas”. Disse que o ICB foi selecionado por chamamento público que cumpriu as exigências legais.

O ICB e o advogado Diego Martinez foram procurados, mas não responderam.

Outro advogado contratado com emenda

Em 2024, Frias destinou duas emendas de R$ 1 milhão cada para projetos da ONG de Karina. Uma delas, vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, recebeu o nome de “Jovem Empreendedor”. Em fevereiro deste ano, a ONG fez dois repasses a uma empresa do advogado Fabio Lago Meirelles: R$ 30 mil para serviços de contabilidade e R$ 50 mil para serviços jurídicos.

De 2022 a 2026, Meirelles defendeu Frias em ao menos nove processos na Justiça.

Dirigente contratado

A ONG também usou a emenda para contratar o produtor de eventos Marcelo Machado, que recebeu R$ 50 mil para serviços de “divulgação”. Machado é dirigente da Academia Nacional de Cultura, outra entidade presidida por Karina, que também está na mira do STF por possível destinação de verbas públicas para o filme sobre Bolsonaro. A lei proíbe a contratação de empresas de dirigentes por ONGs. Machado foi procurado, mas não respondeu.

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