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Denunciante muda versão sobre acusação a vice de Flávio

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Denunciante muda versão sobre acusação a vice de Flávio
foto: Evaristo Sá/AFP

O homem apontado como origem da acusação de estupro de vulnerável contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL), apresentou versões contraditórias nos últimos cinco meses em conversas com parlamentares e com a imprensa.

Luiz Antônio Lopes é a pessoa que procurou o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) durante a CPI Mista do INSS. Na ocasião, ele afirmou que Gaspar, então relator da comissão, teria estuprado e engravidado uma adolescente, dizendo ter provas e o contato da vítima. O caso foi usado politicamente por parlamentares governistas, que encaminharam uma notícia-crime à Polícia Federal em 27 de março.

Em abril, Luiz Antônio procurou o gabinete de Gaspar e mudou a história. Em depoimento à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, disse que tudo havia sido uma armação de Lindbergh. Uma semana depois, ele se filiou ao PL.

Na semana passada, em conversa com a Folha de S. Paulo, Luiz Antônio voltou a mudar de versão, retomando a acusação contra Gaspar e prometendo provas, que não apresentou. Procurado na segunda-feira (10), não respondeu. Na terça-feira (11), deu um relato diferente do da semana anterior, afirmando que “a moça contratada fará um vídeo falando a verdade” e que houve uma armação contra Gaspar, negando ter mudado de versão.

O depoimento de Luiz Antônio foi enviado ao STF em maio, segundo a Câmara dos Deputados. O caso não foi investigado porque a citação a Lindbergh, que tem foro especial, exige autorização da Corte. A PF pediu a abertura de inquérito em 15 de abril. O ministro Gilmar Mendes solicitou posicionamento da PGR, que decide se aceita o pedido.

Ao ser anunciado como vice de Flávio, Gaspar pediu agilidade no exame de DNA que, segundo ele, afastaria a acusação. Disse também que vai processar Lindbergh e Soraya por calúnia, denunciação caluniosa, injúria e coação no curso do processo.

A campanha do PL reafirmou que a denúncia é falsa e que ela surgiu por causa da atuação de Gaspar na CPI do INSS, quando ele pediu o indiciamento do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Em nota, a campanha disse que Gaspar é “um homem íntegro” e que a acusação surgiu após o pedido de prisão de Lulinha. A nota afirma ainda que “fake news é crime no Brasil” e que os responsáveis serão chamados a responder criminalmente.

Na Polícia Legislativa, Luiz Antônio afirmou que uma mulher foi paga para dizer a uma repórter que havia sido estuprada por Gaspar quando tinha 13 anos. Segundo a versão dada à jornalista, teria nascido uma criança, hoje com 8 anos. Ele disse que empregou a mulher em um quiosque em um shopping no Rio de Janeiro e acusou Lindbergh, por meio de pessoas ligadas a ele, de bancar a farsa.

A Folha conversou com Luiz Antônio por WhatsApp na semana passada. O número usado por ele é o mesmo que ele informou à Polícia Legislativa como sendo da suposta farsante. No contato com a reportagem, ele manteve a acusação contra Gaspar, mas não apresentou provas. Disse ter dificuldades para falar com a alegada vítima, inclusive por falta de dinheiro para viajar até a casa dela, no interior do Rio. Ele deu apenas os primeiros nomes da suposta vítima e da criança, Jailma e Eloá, sem apresentar qualquer indício da existência delas.

Soraya não quis se manifestar. A assessoria da senadora afirmou que o caso está em segredo de Justiça. Lindbergh apresentou à reportagem vídeos antigos em que é atacado por Luiz Antônio. Em uma das gravações, o homem diz que o deputado seria um dos mandantes da facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018, o que é falso.

A Câmara informou que o boletim de ocorrência foi feito a pedido de Gaspar e que, por causa da citação de titular de foro privilegiado, encaminhou o caso ao STF em maio, sem novas diligências desde então.

Nilson Tales Guimarães
Nilson Tales Guimarães

Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30…