Edição Sexta, 03 de Abril de 2026 NOTíCIAS
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Chang’e: espetáculo gratuito une mito e tecnologia no DF

A figura mítica da Deusa da Lua, Chang’e, ganha uma releitura contemporânea no espetáculo “Chang’e (çÊ•é), a Deusa da Lua”. A obra estreia neste domingo (5) e circula por teatros...

Chang’e: espetáculo gratuito une mito e tecnologia no DF

A figura mítica da Deusa da Lua, Chang’e, ganha uma releitura contemporânea no espetáculo “Chang’e (çÊ•é), a Deusa da Lua”. A obra estreia neste domingo (5) e circula por teatros do Sesc Taguatinga, Sesc Gama e Espaço Cultural Renato Russo, encerrando a temporada no dia 3 de maio. Com realização do Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF), o trabalho une dança, música e tecnologia para criar uma experiência sensorial.

A proposta parte do encontro entre a mitologia chinesa e a exploração espacial do país, em especial a missão que alcançou o lado oculto da Lua. A partir disso, o espetáculo investiga a complementaridade entre opostos, sugerindo que o invisível é a base para o visível. Em cena, essa reflexão vira uma dramaturgia que articula corpo, som e espaço, com inspiração em tradições filosóficas e literárias chinesas.

Um ponto central da pesquisa é a inclusão de pessoas com deficiência visual. Para isso, a montagem usa um software desenvolvido pelo diretor musical Eufrasio Prates. O programa captura os movimentos das intérpretes em tempo real e os converte em sons fractais. Essa paisagem sonora dialoga com o timbre do erhu, instrumento chinês tocado por Tom Suassuna, criando uma mistura de tradição e inovação.

Em cena, as bailarinas Carol Barreiro e Kimberlly Lima desenvolvem uma partitura coreográfica que estabelece um diálogo entre a dança e o Wushu, prática conhecida no Ocidente como Kung Fu. A movimentação mistura trechos coreografados e improvisação, fazendo do espaço cênico um elemento importante para orientação e construção estética.

A concepção do movimento é atravessada pela reflexão sobre presença e percepção. “Tudo que é visível, tudo que é real, também existe um contraponto do que é invisível e do que é oculto, o que é oculto também possibilita a revelação e a forma”, afirma Carol Barreiro.

A presença de uma intérprete com deficiência visual trouxe desafios específicos, especialmente para orientação espacial e segurança, já que o espetáculo usa armas de treino como elementos de cena. “Nosso maior desafio era criar uma composição em dança… uma exploração do espaço… em que ela soubesse onde ela est&aacute. Através da minha movimentação, através do som e também através do palco, que a gente acabou fazendo um cenário com piso tátil para ela conseguir se locomover”, relata.

A dramaturgia é resultado da remontagem de um trabalho iniciado em 2021, durante a pandemia. Ela se estrutura a partir das fases da Lua, articuladas a sistemas filosóficos chineses. Além disso, o espetáculo dialoga com a tradição literária, incorporando influências de autores como Haroldo de Campos e poetas chineses clássicos.

Na base da criação está a própria figura de Chang’e, uma das principais divindades da mitologia chinesa, associada ao romance, à graça e à prosperidade das colheitas. Segundo a lenda, ao ingerir um elixir da imortalidade destinado ao seu esposo, o arqueiro Yi, ela ascende à Lua, onde permanece eternamente. A narrativa é celebrada anualmente durante o Festival do Meio Outono.

A temporada vai de 5 de abril a 3 de maio. Os ingressos têm entrada gratuita. As apresentações ocorrem no Sesc Teatro Paulo Gracindo, no Gama, no dia 5 de abril, às 15h e às 19h30. No Sesc Teatro Paulo Autran, em Taguatinga, no dia 30 de abril, no mesmo horário. No Espaço Cultural Renato Russo, na Asa Sul, nos dias 2 e 3 de maio, às 19h30. A classificação indicativa é não recomendada para menores de 10 anos.

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