Milhares de imagens de mulheres foram divulgadas sem autorização no Telegram, segundo uma organização não governamental. A ONG AI Forensics revelou nesta quarta-feira, 8 de maio, que dezenas de milhares de fotos e vídeos, muitas vezes mostrando nudez, circularam em grupos e canais na Itália e na Espanha. A organização responsabiliza a plataforma por isso.
Em um estudo, a organização diz ter identificado aproximadamente 25.000 usuários ativos em grupos e canais feitos para compartilhar fotos e vídeos de mulheres nuas. Muitas vezes, esse material era trocado por dinheiro.
No total, mais de 80.000 arquivos de fotos, vídeos e áudios circularam nos 16 canais do Telegram analisados por seis semanas. Conteúdos gerados por inteligência artificial também foram encontrados. A AI Forensics informou à agência de notícias AFP que os arquivos eram em sua maioria de natureza sexualmente explícita. Alguns continham imagens de adolescentes.
Os pesquisadores também encontraram nesses grupos outras atividades, como a publicação de dados pessoais, conhecida como “doxeo”, e campanhas coordenadas de assédio. Alguns participantes chegaram a postar mensagens que incentivavam estupros ou faziam referência a imagens de abuso sexual infantil.
A maior parte do material que circulava vinha de outras redes sociais, como TikTok, Instagram e Snapchat.
Os autores do estudo afirmam que o Telegram é usado com frequência como um centro de redistribuição. Conteúdo retirado, vazado ou capturado em outras plataformas é reunido, armazenado e colocado de volta em circulação por lá.
A ONG chama a atenção para o papel do Telegram na continuidade desses grupos. O relatório aponta que, durante o período analisado, vários grupos foram fechados pela moderação da plataforma, mas reabriram poucas horas depois com os mesmos nomes. Isso, segundo a AI Forensics, sugere que os mecanismos de moderação do aplicativo não são suficientes.
Os autores destacam que o Telegram une recursos fortes de privacidade, como mensagens criptografadas e contas anônimas, com a capacidade de alcançar um grande público. Eles entendem que essa combinação facilita comportamentos abusivos.
Como recomendação, a ONG pede que o Telegram seja incluído na lista de “plataformas online de muito grande porte” da Lei de Serviços Digitais da União Europeia. Essa medida tornaria o controle sobre a plataforma mais rigoroso.
Em resposta à denúncia, o Telegram disse à AFP que seus sistemas de moderação são melhores para impedir a disseminação em massa de conteúdo prejudicial do que os de outras grandes plataformas. A empresa declarou que proíbe o compartilhamento de conteúdo íntimo não consentido, incluindo vídeos pornográficos falsos criados por IA, os chamados deepfakes.
A empresa acrescentou que moderar esse tipo de material é uma tarefa difícil para todas as plataformas. O fundador do Telegram, Pavel Durov, foi alvo de uma ação judicial na França em 2024. A Justiça francesa o acusou de não tomar medidas para combater a difusão de conteúdo criminoso, como imagens de abuso sexual de menores.
