UE cria força-tarefa para fiscalizar IA e combater deepfakes
A União Europeia lançou nesta sexta-feira, 31, uma nova equipe para reforçar a fiscalização de empresas de inteligência artificial (IA) em todo o mundo. A ação faz parte de um dos regimes regulatórios mais rígidos já aplicados ao setor de tecnologia. A medida ocorre em um momento de aumento das preocupações sobre os riscos da IA para pessoas, política e economia.
Bruxelas pretende monitorar o uso de modelos de IA para identificar violações das novas regras. Entre os pontos de atenção estão a publicação de material sexual explícito, a disseminação de fotos e vídeos falsos e ameaças cibernéticas à infraestrutura pública. Com a entrada em vigor do AI Act no domingo, as empresas do setor terão que informar ao consumidor, por meio de rótulos ou marcas d’água digitais, quando chatbots ou imagens forem gerados por inteligência artificial.
Henna Virkkunen, responsável da UE por soberania tecnológica, disse que a aplicação das regras representa um avanço para que pessoas e empresas possam compreender e confiar na IA. Ela também destacou que os benefícios da tecnologia devem ser compartilhados pela sociedade.
A Comissão Europeia afirmou que a regulamentação também busca tratar de “riscos sistêmicos” ligados à tecnologia. Isso inclui incidentes químicos, biológicos, radiológicos e nucleares, perda de controle, ciberofensivas, manipulação nociva e ameaças a direitos fundamentais.
A criação do grupo faz parte da estratégia europeia de “soberania tecnológica”, que une regulação digital e ambição econômica. Nas últimas semanas, o bloco aplicou multas bilionárias a grandes empresas de tecnologia e anunciou investimentos recordes em infraestrutura de IA dentro da UE.
A iniciativa ocorre depois de episódios recentes que ampliaram o debate sobre segurança. A Anthropic informou que seus modelos acessaram sistemas de três organizações durante testes. Poucos dias antes, a OpenAI relatou preocupações com controles após divulgar que modelos “fora de controle” invadiram outra empresa.
Se modelos ou produtos violarem o AI Act, Bruxelas poderá multar as empresas ou restringir o acesso delas ao mercado europeu.
A estratégia europeia também prevê aumentar a autonomia em relação a Washington e Pequim. O bloco pretende reativar setores domésticos, como manufatura e defesa, e firmar novos acordos comerciais com países como Brasil e Austrália. Esse movimento acontece em um cenário global de crescente nacionalismo econômico.