Rachas no DF disparam 29% e acendem alerta de segurança
As vias públicas do Distrito Federal registraram aumento de 28,95% nos flagrantes de rachas nos primeiros cinco meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Dados do Detran-DF mostram que as autuações passaram de 114, em 2025, para 147, em 2026. Isso representa uma média de quase uma infração por dia.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não usa o termo popular “racha”, mas enquadra a conduta nos artigos 173 e 174, que tratam de “disputar corrida” e “promover competição”. Entre janeiro e maio de 2026, ações do Detran, do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) e da Polícia Militar (PMDF) resultaram na autuação de 10 infratores por disputa direta de corrida.
No mesmo período de 2025, o Detran havia registrado oito autuações desse tipo, de um total de 18 em todo o ano. Os motoristas flagrados no artigo 173 recebem autuação gravíssima, com suspensão da carteira, recolhimento da habilitação, remoção do veículo e multa multiplicada por 10, que dobra em caso de reincidência em 12 meses.
As mesmas penalidades valem para quem promove ou participa de eventos organizados, exibições e manobras perigosas sem autorização (artigo 174). Somando todas as infrações ligadas a corridas clandestinas, o DF teve 114 autuações entre janeiro e maio de 2025 (313 em todo o ano) e 147 nos primeiros cinco meses de 2026.
Além das sanções administrativas, o racha é crime pelo artigo 308 do CTB. As penas variam de detenção de seis meses a três anos para disputas sem feridos, reclusão de três a seis anos em casos com lesão grave e detenção de cinco a 10 anos se houver morte.
Para Leonardo Sant’Anna, especialista em segurança pública e professor do Instituto Superior de Ciências Policiais (ISCP), a lei atual falha por permitir fiança e resposta em liberdade. Segundo ele, a percepção de impunidade reforça o comportamento dos infratores, que acreditam que a punição é leve.
Sant’Anna afirma que a discussão sobre endurecimento da pena, como regime fechado ou confisco de bens, ainda é precoce. Ele defende uma reavaliação do tipo de pena ideal, com foco em aspectos financeiros e reeducação, para identificar o que mais desestimula o crime.
O especialista aponta as redes sociais como principal impulsionador do racha no DF. A exibição em plataformas como Instagram e TikTok transformou a prática em espetáculo digital. Ele sugere atualização na lei para que a divulgação de vídeos ou a aceitação de desafios na internet sirva como agravante na pena.
O problema não se limita ao DF. Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 7235/25, do deputado Amom Mandel (Cidadania-AM), que cria o Programa Nacional de Prevenção e Combate às Corridas Ilegais para reduzir acidentes e mortes no país.
Em nota, o Detran-DF informou que a Diretoria de Policiamento e Fiscalização de Trânsito (DIRPOL) realiza patrulhamento e fiscalização de rotina em todo o Distrito Federal. A Diretoria de Educação também promove campanhas de conscientização sobre práticas seguras no trânsito, incluindo o respeito aos limites de velocidade.