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ONS aciona plano inédito para cortar energia por excesso de oferta

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ONS aciona plano inédito para cortar energia por excesso de oferta
Foto: Divulgação ISA Energia

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) acionou pela primeira vez um plano emergencial criado para reduzir a geração de energia do país. A medida foi tomada devido ao excesso de oferta de eletricidade previsto para este domingo (7).

O plano foi acionado para evitar possíveis riscos de desequilíbrio no sistema elétrico. A previsão indicava uma oferta de energia muito maior que a demanda, o que pode derrubar a transmissão e causar apagões.

Esta é a primeira vez que o operador recorre a esse mecanismo. A regra foi aprovada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em novembro de 2025.

O sistema elétrico precisa manter equilíbrio permanente entre a energia produzida e a consumida. Quando a geração fica muito acima da demanda, aumenta o risco de desligamento automático de equipamentos.

Em nota divulgada neste sábado (6), o ONS informou que a previsão para domingo aponta uma carga reduzida, ou seja, baixo consumo de energia. O Operador determinou inicialmente a redução da geração das usinas que estão sob sua coordenação direta. Essa medida não foi suficiente para eliminar o risco, o que levou ao acionamento do plano emergencial.

Foi acionado o “Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição”. O corte deve atingir, principalmente, a geração entregue por usinas solares de pequenos e microgeradores, que não têm conexão gerenciada pelo ONS.

“O ONS seguirá acompanhando e coordenando ações no SIN, fazendo a gestão dos recursos disponíveis, de acordo com a demanda da sociedade em comunicação direta com os agentes do setor”, declarou o órgão em nota. “Segue também atento a nova realidade eletroenergética e trabalhando para garantir a segurança e a eficiência do sistema”.

O Operador já realiza cortes de geração há anos, seja de eólicas ou grandes usinas solares. O que nunca havia ocorrido era a necessidade de utilizar esse novo instrumento regulatório para alcançar pequenos geradores conectados às redes das distribuidoras.

A nova regra foi criada após uma série de alertas do próprio ONS sobre o aumento do risco de excedentes de energia em períodos de baixa carga.

O procedimento segue etapas definidas. O ONS monitora as condições do sistema com antecedência de até sete dias e pode emitir alertas preliminares às distribuidoras. Na véspera da operação, confirma se a restrição será necessária e informa o montante de energia que deverá ser reduzido. As distribuidoras comunicam os geradores afetados.

O ONS não escolhe diretamente quais usinas serão desligadas. Essa tarefa cabe às distribuidoras. A metodologia prevê a seleção de usinas com maior previsão de geração naquele período e um sistema de rodízio, para evitar que os cortes recaiam sempre sobre os mesmos geradores.

A geração solar é o principal alvo porque o problema aparece nos horários de maior produção fotovoltaica, entre o fim da manhã e o meio da tarde. Em um domingo ensolarado, com baixa atividade econômica e consumo reduzido, as usinas solares tendem a produzir grandes volumes de energia quando o sistema menos precisa dela. Além das solares, podem ser desligadas pequenas centrais hidrelétricas, usinas a biomassa e parques eólicos de menor porte.

Nilson Tales Guimarães
Nilson Tales Guimarães

Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30…