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CNI mantém PIB em 2% e eleva projeção de inflação para 2026

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CNI mantém PIB em 2% e eleva projeção de inflação para 2026
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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para este ano e revisou para cima a estimativa de inflação. A informação consta no Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (22).

A entidade avalia que a economia deve seguir em ritmo moderado, puxada principalmente pela indústria extrativa, pelo agronegócio e pela resiliência do setor de serviços. Ao mesmo tempo, alerta que juros elevados, inflação persistente, custos de produção mais altos e o aumento das importações devem limitar uma recuperação mais forte da atividade.

Em nota, o diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, afirmou que o crescimento continuará sustentado pelos setores ligados às commodities e por estímulos à demanda. Segundo ele, a política monetária restritiva e as fragilidades fiscais seguem como entraves para uma expansão mais acelerada.

Na inflação, a CNI passou a prever alta maior dos preços neste ano, citando pressão de alimentos, combustíveis e serviços. O cenário fiscal também preocupa a entidade, que avalia que, embora a arrecadação federal deva crescer, o aumento das despesas públicas tende a manter as contas do governo no vermelho e elevar o endividamento do país.

A confederação também revisou para cima a expectativa para a indústria, impulsionada sobretudo pela atividade extrativa, beneficiada pelo aumento da produção de petróleo e menos sensível aos juros elevados. Na indústria de transformação, apesar da melhora na projeção, o setor segue pressionado pelo avanço das importações, pelos juros altos e pelos custos adicionais decorrentes da guerra no Oriente Médio. Segundo a CNI, apenas sete dos 24 segmentos industriais apresentam crescimento.

A construção civil deve ganhar impulso com medidas governamentais voltadas ao crédito habitacional e aos investimentos em infraestrutura. Já no campo, a expectativa de uma nova safra recorde, especialmente de soja, e o crescimento da produção animal levaram a entidade a elevar pela segunda vez consecutiva a projeção para a agropecuária.

No setor de serviços, a CNI passou a ver crescimento menor do que o estimado anteriormente. A atividade segue apoiada pelo mercado de trabalho, pelas vendas do varejo e pelos segmentos de informação e comunicação, mas a inadimplência das famílias, o maior endividamento e os juros elevados reduziram a projeção.

Diante da inflação persistente e da piora do cenário fiscal, a CNI também reduziu a expectativa de queda da taxa básica de juros. Agora, prevê apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026.

No cenário externo, a guerra no Oriente Médio continua sendo apontada como o principal fator de risco para a economia brasileira. O conflito elevou os custos de combustíveis, energia e fertilizantes, embora a CNI avalie que essa pressão possa diminuir ao longo do ano com o aumento esperado da oferta mundial de petróleo.

A entidade também observa o avanço das importações de bens de consumo em meio à desaceleração da indústria nacional e cita como risco adicional a possível ampliação das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o que pode afetar o desempenho das exportações ao longo de 2026.

Nilson Tales Guimarães
Nilson Tales Guimarães

Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30…