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Casa e Decoração

Como é feito vidro temperado: forno, choque térmico e cubinhos

Como é feito vidro temperado: o vidro comum vai a 620 graus e é resfriado por jatos de ar em segundos; a casca fica comprimida, cinco vezes mais forte, e nunca mais pode ser cortada.

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como é feito vidro temperado

O vidro do box, da porta da sala, da mesa de jantar e da tampa do fogão é o mesmo vidro comum de janela, com uma diferença que acontece em vinte minutos dentro de um forno. Ele entra mole a seiscentos e vinte graus, sai em segundos sob jatos de ar frio e, nesse choque, a superfície endurece antes do miolo e fica comprimida, como uma casca apertando o recheio. É isso que o torna cinco vezes mais resistente e que o faz estilhaçar em cubinhos sem ponta quando quebra. Entender como é feito vidro temperado explica por que ele não pode ser cortado nem furado depois de pronto, por que a medida precisa ser tirada antes e por que uma peça, uma vez em mil, explode sozinha. Este texto passa pelo processo, pelos usos, pelas diferenças para o laminado e o comum, e pelo preço.

Aqui estão as etapas da têmpera, o que muda na estrutura do vidro e o motivo de não cortar nem furar. Entram a tabela com o laminado e o comum, onde cada um vai, a quebra espontânea e o selo, a ordem certa para encomendar, as faixas de preço e as dúvidas mais comuns.

Como é feito vidro temperado: as etapas no forno

Tudo começa com o vidro float comum, cortado na medida final, com furos e recortes já feitos e bordas lapidadas, porque nada disso é possível depois. A chapa entra num forno horizontal de rolos e é aquecida de forma uniforme até cerca de seiscentos e vinte graus, perto do ponto em que o vidro amolece. Em seguida passa para a zona de resfriamento, onde jatos de ar dos dois lados baixam a temperatura da superfície em poucos segundos, enquanto o interior ainda está quente. A superfície contrai e endurece primeiro; o miolo esfria depois e puxa a casca para dentro.

O resultado é uma camada externa sob compressão e um núcleo sob tração, em equilíbrio, e é esse equilíbrio que dá a resistência e que define tudo o que vem depois.

O ciclo inteiro, da entrada à saída, leva de dez a vinte minutos, e o vidro sai pronto, sem acabamento adicional. Chapas mais grossas ficam mais tempo no forno e exigem resfriamento mais violento, por isso o temperado de dez milímetros custa mais que o dobro do de quatro.

Por que não corta, não fura e quebra em cubos

Cortar ou furar rompe a casca comprimida em um ponto, e a tensão presa no miolo se libera de uma vez: a chapa inteira estilhaça. Por isso a medida, os furos para puxador e dobradiça e os recortes para fechadura são feitos no vidro cru, antes do forno, e a peça é encomendada sob medida, sem margem para ajuste na obra. Quando quebra, a mesma tensão fragmenta tudo em cubos de menos de um centímetro, sem lascas cortantes, e é essa a razão de ser chamado de vidro de segurança.

Medida errada em temperado é peça perdida, e é o motivo de o vidraceiro medir no local com o vão pronto. Na região metropolitana de Porto Alegre, onde box, porta de sala e fechamento de sacada são quase todos em temperado, a oficina que mede, tempera e instala no mesmo pedido evita o erro de dois centímetros que inutiliza a chapa. Uma vidraçaria em Nova Santa Rita ou nas cidades vizinhas, escolhida a partir de uma lista com endereço e telefone, permite comparar duas ou três antes de fechar o orçamento.

Comparativo entre temperado, laminado e comum

Os três vidros mais usados em casa
VidroComo quebraMelhor uso
Comum (float)Lascas grandes e cortantesJanela pequena, quadro, vitrine baixa
TemperadoCubos pequenos, cai inteiroBox, porta, mesa, fechamento de sacada
LaminadoTrinca e fica preso na películaGuarda-corpo, cobertura, fachada, para-brisa

Onde cada um vai

Temperado é o vidro de tudo que abre, fecha e recebe impacto na altura do corpo: box, porta de correr e pivotante, janela grande, tampo de mesa, prateleira e divisória. Laminado, que são duas chapas coladas com uma película plástica, é o vidro de onde a queda de cacos seria perigosa ou onde a chapa precisa ficar no lugar depois de quebrar: guarda-corpo de sacada, cobertura, escada, fachada e piso. Comum fica para janela pequena, quadro e móvel sem uso pesado. A norma brasileira exige temperado ou laminado, em porta, box, área com risco de impacto e qualquer lugar acima de dois metros de altura.

A quebra espontânea e o selo

Uma peça de temperado em cada mil ou dois mil pode estilhaçar sozinha, sem ninguém encostar, meses ou anos depois de instalada. Por trás disso há uma inclusão microscópica de sulfeto de níquel dentro do vidro, que se expande devagar e, quando atinge o núcleo sob tração, dispara a quebra. Não é defeito de instalação nem de uso, e o fabricante sério oferece o teste chamado heat soak, que força a quebra das peças com inclusão antes de saírem da fábrica.

Todo temperado de fábrica certificada leva um selo gravado num canto, com a marca e a norma, e a ausência do selo é sinal de vidro que talvez nem tenha sido temperado. Em box e porta, o selo fica perto da dobradiça ou do puxador, e vale procurar antes de assinar a entrega.

Em ordem, para encomendar sem erro

  1. Definir o uso e a espessura: 8 mm para box e porta, 10 mm para mesa e divisória grande, 6 mm para prateleira.
  2. Deixar o vão pronto, com piso, revestimento e esquadria instalados, antes de medir.
  3. Marcar furos, recortes e acabamento de borda no pedido, porque nada disso se faz depois.
  4. Conferir se a oficina entrega vidro com selo de fábrica e, em peça grande, se faz heat soak.
  5. Pedir o orçamento por escrito com medida, espessura, ferragem e instalação.

O passo dois é o mais pulado e o mais caro: medir com o azulejo por assentar dá dois centímetros de erro e uma chapa inutilizada.

Quanto custa

Temperado incolor de 8 mm fica, em geral, entre R$ 250 e R$ 450 por metro quadrado instalado, com furos e lapidação; o de 10 mm, entre R$ 320 e R$ 550. Laminado de oito milímetros, entre R$ 350 e R$ 650 por metro quadrado. Vidro comum de 4 mm, entre R$ 90 e R$ 180.

Um box de correr padrão, de dois metros por um e noventa, em temperado de oito milímetros com ferragem, sai entre R$ 800 e R$ 1.800; uma porta pivotante de sala, entre R$ 1.500 e R$ 3.500. O orçamento por escrito, com espessura e ferragem, é o que vale.

Perguntas frequentes sobre o vidro temperado

Como é feito vidro temperado em resumo?

Vidro comum cortado na medida vai ao forno a cerca de 620 graus e é resfriado por ar em segundos; a casca comprime, o miolo fica tracionado e a peça sai muito mais forte.

Dá para cortar vidro temperado?

Não. Qualquer corte ou furo libera a tensão e a peça inteira estilhaça. Tudo se faz antes da têmpera.

Por que ele quebra em cubinhos?

A tensão presa no miolo fragmenta tudo de uma vez, em pedaços pequenos sem ponta. É o que o classifica como vidro de segurança.

Temperado ou laminado no guarda-corpo?

Laminado, ou temperado laminado. Só temperado cai inteiro quando quebra e deixa o vão aberto.

Vidro temperado explode sozinho?

Uma peça em cada mil ou dois mil, por inclusão de sulfeto de níquel. O teste heat soak na fábrica reduz o risco.

Como saber se o vidro é temperado mesmo?

Pelo selo gravado no canto, com marca e norma. Sem selo, desconfiar; com óculos polarizados, o temperado mostra manchas escuras em padrão.

Resumo

Como é feito vidro temperado: chapa comum cortada na medida final, com furos e bordas prontos, aquecida a cerca de 620 graus e resfriada por ar em segundos, o que comprime a superfície e deixa o miolo tracionado. Isso multiplica a resistência, faz quebrar em cubos e impede qualquer corte depois. Vai em box, porta, mesa e divisória; o laminado fica com guarda-corpo, cobertura e fachada. Medida no vão pronto, selo de fábrica e valor fechado por escrito evitam a chapa perdida.

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