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Vaticano nega repreensão do Pentágono sobre papa

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Vaticano nega repreensão do Pentágono sobre papa
Vaticano nega repreensão do Pentágono sobre papa

O Vaticano negou, nesta sexta-feira (10), as notícias de que um alto cargo do Pentágono teria repreendido seu enviado aos Estados Unidos. A suposta repreensão seria por comentários feitos pelo papa Leão XIV, considerados críticos às políticas do então governo de Donald Trump.

O papa Leão XIV, o primeiro pontífice americano da história, mantém uma relação complexa com o governo Trump. Ele já se manifestou contra a guerra no Irã e afirmou rejeitar as orações “daqueles que fazem guerra”.

O encontro em questão ocorreu no Pentágono em 22 de janeiro, antes do conflito com o Irã. Encontraram-se o subsecretário de Guerra para Assuntos Políticos, Elbridge Colby, e o cardeal francês Christophe Pierre, então núncio apostólico em Washington.

Na quinta-feira, o Pentágono já havia indicado que a informação, publicada pelo veículo de mídia independente Free Press, havia sido “distorcida”.

Segundo essa publicação, o funcionário do Pentágono teria dito ao representante do Vaticano que os Estados Unidos “têm o poder militar para fazer o que quiserem”. A mesma fonte afirmou que ele disse que “a Igreja estaria melhor se ficasse de fora disso”.

Nesta sexta-feira, o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, divulgou uma nota oficial. Nela, afirmou que “a versão apresentada por alguns veículos de comunicação sobre este encontro não corresponde à verdade de forma alguma”.

Bruni também deu mais detalhes sobre a natureza do encontro. Christophe Pierre, que já se aposentou, reuniu-se com Colby como parte das “obrigações habituais de um representante do papado”. O porta-voz indicou que o encontro “proporcionou uma oportunidade para trocar opiniões sobre assuntos de interesse mútuo”.

Na quinta-feira, um dia antes da nota do Vaticano, o Pentágono também se pronunciou sobre o caso. A instituição declarou que as informações circuladas sobre o encontro foram “muito exageradas e distorcidas”. A versão oficial do Departamento de Defesa americano é que a reunião consistiu em uma “conversa respeitosa e razoável” entre as partes.

Esta não é a primeira vez que tensões entre a Santa Sé e o governo Trump vêm à tona. O papa Leão XIV, eleito em 2019, frequentemente abordou temas de política internacional e paz, posições que às vezes geraram atritos diplomáticos. Sua origem americana adiciona uma camada singular ao relacionamento entre o Vaticano e a Casa Branca naquela administração.

A posição do Vaticano, como Estado soberano e autoridade moral global, frequentemente o leva a se pronunciar sobre conflitos. A suposta repreensão, agora negada por ambas as partes envolvidas, gira em torno do delicado equilíbrio entre diplomacia e a defesa pública de princípios pela Santa Sé. O episódio ilustra os desafios de comunicação em assuntos sensíveis entre grandes instituições.

Nilson Tales Guimarães
Nilson Tales Guimarães

Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30…