Futebol x escola: vale faltar à aula por causa da Copa?
O técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, sugeriu que pais deixassem os filhos faltarem à aula para assistir ao jogo contra o México nas oitavas de final da Copa do Mundo. A declaração gerou uma resposta do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que afirmou que a Copa é importante, mas a escola é prioridade.
No Brasil, uma polêmica parecida ocorreu em outubro do ano passado. Durante a transmissão de um amistoso entre Brasil e Coreia do Sul no YouTube, o comentarista Bruno Formiga sugeriu que os estudantes faltassem à aula para ver o jogo. O narrador Jorge Iggor tentou amenizar a fala, lembrando da necessidade de repor o conteúdo, mas Formiga manteve a recomendação. O comentário rapidamente se espalhou pelas redes sociais.
A Copa do Mundo mobiliza muitas pessoas e cria memórias afetivas, reunindo famílias e paralisando cidades. Esse valor emocional é real, mas não precisa competir com a educação. Assistir a um jogo pode ser uma lembrança marcante, enquanto estudar é o que constrói o futuro. Uma coisa não substitui a outra.
Há uma frase atribuída ao ex-presidente da FIFA, João Havelange, que diz que “o futebol é a mais importante das coisas menos importantes”. A ideia continua atual: o futebol pode ser grandioso e apaixonante, mas a formação de uma criança é mais relevante. A Copa do Mundo termina em poucas semanas, enquanto o calendário escolar acompanha o aluno por toda a vida. Celebrar o futebol faz parte da cultura, mas usá-lo para diminuir a importância da escola não é um bom caminho.