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Ancelotti: frieza ou inteligência emocional na liderança?

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Ancelotti: frieza ou inteligência emocional na liderança?
Foto: Anthony Wallace / AFP

A reação do técnico Carlo Ancelotti durante a vitória do Brasil contra o Japão na última segunda-feira gerou debate nas redes sociais. Enquanto todos ao seu redor comemoravam o gol da virada no último minuto, o italiano permaneceu sem demonstrar emoção. O mesmo ocorreu no gol de empate.

Muitos torcedores brasileiros acharam a postura estranha. Alguns disseram que ele é frio por ser europeu. Outros citaram um temperamento fleumático como explicação. A pergunta que ficou foi: a reação de Ancelotti foi frieza ou inteligência emocional?

Para o técnico da seleção brasileira, a vitória já era certeza. Em entrevista exclusiva, Ancelotti afirmou que não sofreu como o torcedor porque sabia que seu time estava forte. “Eu sofri menos, porque estava confiante”, disse. Ele acrescentou que, no futebol, “o sofrimento é normal”.

O comportamento de Ancelotti ilustra um princípio da inteligência emocional. Equilíbrio emocional não significa ausência de emoção, mas domínio sobre ela. A calma, muitas vezes, é mais estratégica do que a euforia. Quem lidera as próprias emoções lidera melhor as pessoas e o jogo.

Líderes não controlam apenas a equipe. Controlam a si mesmos. O autocontrole em momentos de pressão é um diferencial. Esse equilíbrio inspira confiança e impõe respeito. A inteligência emocional não é sobre ser indiferente ou não sentir. É sobre escolher o que demonstrar e ter, estrategicamente, uma reação contrária à esperada.

Ancelotti pode ter causado estranheza em muitos torcedores. Mas a repercussão final foi a de que ele foi impecável. Ele sabe o que faz e está entre os melhores técnicos que um time pode ter. O italiano impôs respeito não pelas emoções que não entregou, mas pelo resultado que trouxe nos momentos decisivos.

Ancelotti talvez estivesse cobrando aquilo com que muitos brasileiros têm mais dificuldade: a gestão das emoções. E, para cobrar isso, precisava ser exemplo.

Nilson Tales Guimarães
Nilson Tales Guimarães

Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30…