26.MAR.2015
PINTURA ÍNTIMA “Entre mortos e feridos, Pitty salvou a música e, com o microfone em punho, exorciza o passado e recebe o presente de coração aberto. E tudo isso mais tatuada, sexy e intensa do que nunca!”

Pitty


Depois de um período agitado – dentro e fora dos palcos – a cantora Pitty retorna às paradas com um álbum inédito no qual mostra a alma de uma artista inquieta e sem medo de correr riscos. No ouvido de quem gosta da combinação entre riffs de guitarra e letras existencialistas desde o início dos 2000, Priscila Novaes Leone é quase uma unanimidade entre os fãs do rock n’ roll cantado em português. Do lançamento do aclamado “Admirável Chip Novo” até a produção de “Sete Vidas” – disco que veio ao mundo no final de 2014 – muita coisa mudou na vida da baiana de 37 anos. Com quatro discos na bagagem – sem contar uma incursão pelo universo folk com o projeto paralelo “Agridoce”, ao qual vinha se dedicando nos últimos anos – a roqueira sempre buscou na própria rotina a inspiração para compor a maioria de suas criações. Com o novo trabalho não poderia ser diferente e o resultado são dez canções que pintam com perfeição o retrato da ruiva nos últimos anos. Ao ouvido mais atento, está tudo lá: a dor da perda do colega de banda Peu, o desafeto público com o ex-baixista Joe e até mesmo a tristeza pela morte de Lou Reed. Entre mortos e feridos, Pitty salvou a música e, com o microfone em punho, exorciza o passado e recebe o presente de coração aberto. E tudo isso mais tatuada, sexy e intensa do que nunca!


Pitty01


Qual a sensação de estar voltando a fazer música com sua banda depois de passar um tempo em outros projetos?
Maravilhosa! E natural também. Eu já sabia que isso ia acontecer e que eu precisava cumprir um ciclo, dar um tempo, renovar as ideias e aí então botar a mão na massa de novo.


O nome do álbum – “Sete Vidas” – tem alguma ligação com o que você andou vivendo nos últimos anos? A música seria uma espécie de renascimento?
Tem a ver, sim. Os acontecimentos de 2013, especificamente, me fizeram ter vontade de escrever de novo, e os assuntos giravam em torno de recomeço, resiliência, morte e vida. Tem eufemismo e tem metáfora aí no meio, mas muita coisa acabou e outras começaram, e isso acabou transbordando para o disco como um todo.


Recentemente, você resolveu levar seu trabalho para outras mídias, com o lançamento de um livro de fotos de sua carreira. No futuro, pensa em se aventurar em áreas como a literatura ou o cinema?
Nunca pensei efetivamente, mas são coisas que eu gosto... Amo cinema e literatura tanto quanto música ou fotografia, é natural que em algum momento as linguagens dialoguem. Estou aberta a todas as aventuras e vontades que a vida botar no meu caminho.


E a emoção de voltar para estrada com um trabalho novo e tão pessoal?
Estamos na turnê e está sendo muito massa tocar essas músicas ao vivo. Procurei montar o show de forma que o disco esteja o mais fielmente possível representado ali. Temos mais um músico agora e com a adição de lap steel, teclados e percussão a gente consegue reproduzir direitinho a atmosfera do “Sete Vidas”.


Como é viver em um meio predominantemente masculino e de que forma este convívio intenso – especialmente com seus colegas de banda – influencia na sua maneira de criar?
Eu cresci assim, me criei assim! Não conheço outro universo, então a adaptação é total e tranquila. Eu tenho a sorte de conviver com homens sensíveis, inteligentes e modernos que passam longe do estereótipo machista. Entre nós, somos iguais e esse é o tipo de relação que gostaria de ver no mundo. Criamos juntos, pensamos juntos, crescemos juntos enquanto banda e não há distinção ou privilégio por questão de gênero aqui dentro. Há nuances, lógico, da coisa de ser homem e ser mulher, mas isso é legal e faz parte. Não é nada que separa, é coisa de jeito de cada um mesmo.


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Mesmo longe dos programas de auditório e trilhas de novela, o rock nacional ainda mostra sinais de intensa criatividade. Como você analisa a cena roqueira no Brasil?
O rock independe de moda ou demanda de mercado. Ele existe porque precisa existir. Em qualquer cidade, em qualquer quebrada vai ter um moleque querendo pegar uma guitarra e dizer umas coisas. Essa é a chama primordial da parada. O resto a gente se adapta, às vezes está mais em voga, às vezes não, mas é assim mesmo.


O que anda rolando na sua playlist? Que artistas têm merecido sua atenção?
Descobri um cara chamado Lo-Fang que lançou um disco lindo no ano passado. Mas ouço tanta coisa diferente! Hoje tava escutando The Buttshakers, ontem foi Sonics, outro dia uma playlist de afrobeat brasileiro e por aí vai...


O tema desta edição da revista é “faça com alma”. O que é pra você colocar alma naquilo que você faz?
É o que faz as coisas terem sentido. É quando você encontra um jeito de se traduzir, de se reconhecer, de se lapidar. Conseguir botar alma no que faz é um encontro com o divino, com o sagrado. É, talvez, onde moram os deuses.

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